Quando as calculadoras entraram nas salas de aula, houve quem temesse que nenhum aluno voltasse a saber fazer uma conta de cabeça. Como professor de Matemática, posso garantir que as contas sobreviveram. Mudou, isso sim, aquilo que passámos a pedir aos alunos: menos tempo a calcular, mais tempo a perceber o que se está a calcular e porquê.
Com a tecnologia de hoje, a pergunta repete-se, agora mais depressa e com mais ruído. Tablets, plataformas, inteligência artificial: tudo chega à escola ao mesmo tempo, e é natural que pais e professores se perguntem se estamos a ganhar ou a perder.
As oportunidades são reais. Um aluno pode hoje aceder a recursos que há poucos anos estavam fora do alcance de qualquer escola, rever uma matéria ao seu ritmo, criar um vídeo, um trabalho de investigação ou uma apresentação em vez de se limitar a copiar um resumo. Um professor pode acompanhar melhor quem precisa de mais apoio e desafiar quem precisa de ir mais longe. Bem usada, a tecnologia aproxima o ensino de cada aluno.
Os desafios são igualmente reais. A atenção tornou-se um bem escasso, disputado por notificações que não foram desenhadas para ajudar ninguém a estudar. A facilidade de obter uma resposta pode dispensar o esforço de a procurar, e é nesse esforço que muitas vezes se aprende. E a organização do estudo, que sempre exigiu treino, exige-o ainda mais quando tudo está a um toque de distância.
Por isso, a questão que nos ocupa não é usar mais tecnologia, é usá-la melhor. A inovação só faz sentido quando melhora verdadeiramente a aprendizagem. Isso implica ensinar os alunos a escolher a ferramenta certa para cada tarefa, a desconfiar da primeira resposta, a verificar, a assumir a autoria do que produzem. No desporto, o melhor equipamento nunca substituiu o treino; na escola, o melhor ecrã também não substitui o pensamento, nem o professor que o provoca.
A escola e a família não competem; completam-se. Deixo uma sugestão para esta semana: perguntem aos vossos filhos que ferramentas digitais usam para estudar, para quê e como confirmam se aquilo que encontram está certo. É uma conversa simples, que lhes mostra que o que pensam conta mais do que aquilo que copiam.
Porque acreditamos que educar é preparar para a vida. Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Geral
A palavra infância vem do latim infans, que quer dizer, à letra, «aquele que não fala». Tem graça pensar nisto quando olhamos para uma criança de três anos que pede água em português à mãe, em inglês à educadora e, ao pai, numa mistura das duas que só ele entende à primeira. Não fala? Fala a dobrar.
Também bilingue tem história: bi, duas vezes; língua, que em latim era ao mesmo tempo o músculo com que falamos e o idioma que usamos. Crescer entre duas línguas é aprender a mover a mesma língua de duas maneiras. E é, sobretudo, ver o mundo com duas janelas abertas.
Quando me falam deste tema, as perguntas repetem-se. Vai baralhar-se? Vai começar a falar mais tarde? Em que língua se deve falar em casa?
Comecemos pela mistura. Quando uma criança junta palavras das duas línguas na mesma frase, não está confusa: está a usar tudo o que sabe para se fazer entender. Os adultos bilingues fazem exatamente o mesmo, e ninguém os acusa de confusão. Com o tempo, a criança percebe com quem usa cada língua e em que situações, e a alternância passa a ser escolha.
Quanto ao atraso, a investigação não confirma que crescer com duas línguas atrase a linguagem. Pode acontecer que, numa delas, o vocabulário pareça mais pequeno do que o de um colega que só fala uma; somadas as duas, a conta costuma equilibrar-se. Se alguma coisa vos inquietar, falem connosco: observar a criança em conjunto é sempre o melhor ponto de partida.
E em casa? Deixo três sugestões, mais do que regras. Falem com os vossos filhos na língua em que sentem, aquela em que vos saem naturalmente as canções de embalar, as zangas e os mimos. Sejam coerentes, sem rigidez: há famílias em que cada adulto usa a sua língua, outras que separam por momentos do dia, e ambas funcionam. E leiam, contem histórias, cantem nas duas línguas, porque uma língua que só serve para dar ordens é uma língua que se aprende pouco.
Em contexto escolar, o bilinguismo é um posicionamento, é uma disponibilidade para receber o mundo, para sensibilizar o ouvido, para conviver com tranquilidade e compreender para além do exato vocábulo. Queremos que se ouçam as duas línguas, desde cedo, mesmo para quem não é bilingue.
A ideia não é transformar a primeira infância numa sucessão de aulas de inglês, mas sim brincar com a língua, usá-la, cantá-la e conviver com ela. É perguntar em português e ouvir a resposta em inglês entendendo-a, nomear em duas línguas os objetos da brincadeira ou marcar o ritmo da hora de arrumar a sala. Trata-se de criar disponibilidade e afeição para a aprendizagem. À medida que a criança cresce e a educação académica chega, este processo estrutura-se e caminha para um estudo formal que deve ser sempre movido pela curiosidade e pela sede de entendimento.
Crescer entre duas línguas não é dividir a criança ao meio. É dar-lhe duas margens e um barco para ir e vir entre elas. Naveguemos, então, juntos.
Inês Villas-Boas Martins · Diretora Pedagógica, Oceanus International School

Quem tem um jardim sabe que uma planta, quando muda de vaso, não cresce logo no dia seguinte. Durante algum tempo, pode parecer parada e até um pouco murcha. Não está a desistir. Está a adaptar-se ao novo espaço, a criar raízes e a encontrar as condições de que precisa para continuar a crescer. E esse trabalho, talvez o mais importante, acontece onde não conseguimos vê-lo.
Com as crianças, acontece algo semelhante.
Setembro está prestes a terminar. As rotinas começam a instalar-se e, para muitas famílias, surge naturalmente a expectativa de que a adaptação ao novo ano letivo esteja concluída. No entanto, cada criança tem o seu ritmo, a sua história e a sua forma de lidar com a mudança e esse tempo nem sempre coincide com o «calendário» que os adultos imaginam.
Há crianças que chegam a outubro cheias de energia e entusiasmo. Outras começam a revelar algum cansaço. Algumas podem mostrar-se mais irritáveis ao final do dia, ter maior dificuldade em adormecer, procurar mais a proximidade dos pais ou demonstrar menor disponibilidade para falar sobre o dia.
Estes sinais, por si só, não significam necessariamente um retrocesso. Podem fazer parte de um processo de adaptação que exige muito da criança: novos horários, novas regras, diferentes interações, novas aprendizagens, responsabilidades e expectativas. À medida que o entusiasmo inicial dá lugar à rotina, o esforço realizado nas primeiras semanas pode começar a fazer-se sentir.
Adaptar-se também cansa. E crescer exige tempo.
Enquanto adultos, o nosso papel passa por observar, escutar, acolher, ajustar e, quando necessário, voltar a tentar.
Cada criança é única. Tem o seu próprio tempo, a sua história, os seus recursos e as suas necessidades. Por isso, as comparações com o irmão mais velho, com os colegas ou até com aquilo que esperávamos que acontecesse raramente ajudam.
Talvez a pergunta mais importante não seja «Porque é que ainda não se adaptou?», mas antes: «Do que precisa esta criança para se sentir segura e confiante neste processo?»
Em casa, enquanto espaço privilegiado de segurança e vínculo, existem pequenos gestos que podem fazer a diferença. Manter rotinas previsíveis e horários de sono adequados, preservar momentos sem atividades estruturadas, dar espaço para brincar livremente, partilhar refeições, ler uma história ou simplesmente estar disponível são formas de ajudar a criança a recuperar do esforço do dia e a organizar as suas experiências. O diálogo deve também ser incluído nestes momentos. Muitos pais referem que, perante a pergunta «Como correu a escola?», recebem apenas um «bem», um silêncio ou uma rápida mudança de assunto.
Em vez de insistir, podemos experimentar outras formas de abrir espaço ao diálogo. Partilhar primeiro algo sobre o nosso próprio dia (aquilo de que mais gostámos, algo que nos surpreendeu ou uma situação mais difícil) pode ajudar a criança a sentir que a conversa é uma partilha e não um conjunto de perguntas às quais tem de responder. Podemos também recorrer a perguntas mais concretas: «Qual foi o momento mais divertido do teu dia?», «Houve alguma coisa que tenha sido difícil?» ou «Com quem gostaste mais de brincar hoje?». E é igualmente importante respeitar os momentos em que a criança ainda não quer falar. Estar disponível também é saber esperar.
No Colégio João Paulo II, o bem-estar e o desenvolvimento integral dos nossos alunos constituem uma responsabilidade partilhada. A relação de confiança e a colaboração entre a família e o Colégio são fundamentais para compreendermos cada criança no seu contexto e respondermos de forma ajustada às suas necessidades.
Os pais e encarregados de educação conhecem os seus filhos de uma forma única; a escola, por sua vez, acompanha-os num contexto diferente, onde observa outras relações, desafios e conquistas. É no encontro destes diferentes olhares que conseguimos compreender melhor cada criança.
Assim, perante mudanças persistentes ou significativas no comportamento, no sono, no humor, na relação com a escola ou no bem-estar da criança, é importante partilhar essas preocupações com a educadora, o professor titular, o diretor de turma ou o Serviço de Psicologia e Orientação. Esta articulação permite observar, compreender e, sempre que necessário, pensar em conjunto nas respostas mais adequadas.
Nem tudo o que é importante no crescimento é imediatamente visível. Às vezes, enquanto esperamos pelas folhas novas, as raízes estão simplesmente a crescer.
Demos-lhes tempo, segurança e espaço para crescer.
Dora Fonte · Coordenadora dos Serviços Especializados de Apoio Educativo
A 1 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Música. Cantar, ouvir e fazer música em conjunto é uma forma simples de estar juntos e, ao mesmo tempo, apoia o desenvolvimento da linguagem, da memória e da atenção. O Gabinete Psicopedagógico partilha consigo algumas sugestões para trazer mais música para o dia a dia da família.
Cante para o seu filho nos momentos de rotina, como o banho, a muda da fralda ou a hora de dormir. Não é preciso afinação: a voz de quem cuida é o som que mais o acalma e ajuda-o a familiarizar-se com os sons da língua.
Construam instrumentos com materiais de casa, como um frasco com arroz ou uma caixa com elásticos, e acompanhem canções com palmas e ritmos. Rimas e lengalengas são excelentes aliadas da linguagem e da memória.
Criem uma lista de músicas da família: cada um escolhe uma canção e explica porque gosta dela. Com os mais velhos, é uma boa forma de abrir conversa sobre aquilo que ouvem. Se aprendem um instrumento, valorize o esforço e a persistência, mais do que a perfeição.
Desejamos a toda a comunidade escolar uma semana com mais música e mais momentos partilhados.
Semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026
| Dia | Refeição (puré) |
|---|---|
| Segunda | Sopa de cenoura com pescada4 |
| Terça | Sopa de feijão vermelho com carne de vaca |
| Quarta | Sopa de abóbora com pescada4 |
| Quinta | Sopa de penca com frango |
| Sexta | Sopa de curgete com salmão4 |
| Dia | Sopa | Prato | Sobremesa |
|---|---|---|---|
| Segunda | Sopa de cenoura (cenoura, abóbora, repolho, batata, cebola e azeite) | Pescada no forno lascada com arroz de ervilhas4 | Maçã golden |
| Terça | Sopa de feijão vermelho (couve-lombarda, cenoura, feijão vermelho, batata, cebola e azeite) | Carne de vaca picada estufada com massa fusilli e couve branca1,3 | Pera |
| Quarta | Sopa de abóbora (abóbora, couve branca, cenoura, batata, cebola e azeite) | Filetes de pescada assados no forno lascados com arroz e cenoura4 | Banana |
| Quinta | Sopa de penca (penca, cenoura, nabo, batata, cebola e azeite) | Jardineira de frango (batata, frango desfiado, ervilhas, cenoura e feijão verde)1,6 | Laranja |
| Sexta | Sopa de curgete (curgete, alho-francês, cenoura, batata, cebola e azeite) | Salmão grelhado desfiado com massa cotovelinhos e brócolos1,2,3,4,6,10,14 | Maçã starking |
| Dia | Sopa | Prato | Salada | Sobremesa |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | Sopa de cenoura (cenoura, abóbora, repolho, batata, cebola e azeite) | Barrinhas de pescada no forno com arroz de ervilhas1,2,3,4,6,7,9,10 | Cenoura e milho | Maçã golden |
| Terça | Sopa de feijão vermelho (couve-lombarda, cenoura, feijão vermelho, batata, cebola e azeite) | Bifanas de porco estufadas com massa fusilli1,3,12 | Salada de alface e beterraba | Pera |
| Quarta | Sopa de abóbora (abóbora, couve branca, cenoura, batata, cebola e azeite) | Filetes de pescada assados no forno com arroz4 | Salada de couve roxa | Banana |
| Quinta | Sopa de penca (penca, cenoura, nabo, batata, cebola e azeite) | Jardineira de frango (batata, frango desfiado, ervilhas, cenoura e feijão verde)1,6 | Couve branca | Laranja |
| Sexta | Sopa de curgete (curgete, alho-francês, cenoura, batata, cebola e azeite) | Salmão grelhado desfiado com massa cotovelinhos1,2,3,4,14 | Brócolos cozidos | Maçã starking |
| Dia | Sopa | Vegetariana | Salada | Sobremesa |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | Sopa de cenoura (cenoura, abóbora, repolho, batata, cebola e azeite) | Arroz de tofu, ervilhas e cenoura no forno1,6 | Cenoura e milho | Maçã golden |
| Terça | Sopa de feijão vermelho (couve-lombarda, cenoura, feijão vermelho, batata, cebola e azeite) | Soja estufada com massa espiral1,6,8,10,11 | Salada de alface e beterraba | Pera |
| Quarta | Sopa de abóbora (abóbora, couve branca, cenoura, batata, cebola e azeite) | Cogumelos salteados com feijão preto e arroz1,6 | Salada de couve roxa | Banana |
| Quinta | Sopa de penca (penca, cenoura, nabo, batata, cebola e azeite) | Jardineira de legumes (lentilha, cenoura, repolho, curgete, brócolos, milho e batata)1,6,10,11 | Couve branca | Laranja |
| Sexta | Sopa de curgete (curgete, alho-francês, cenoura, batata, cebola e azeite) | Seitan no forno com molho de tomate e massa cotovelinhos1,6,10 | Brócolos cozidos | Maçã starking |
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